Um prêmio

Por: Sônia Machiavelli

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Pelo menos no calendário, hoje é Dia da Educação. Boa oportunidade para falar do Prêmio Espantaxim, recentemente contemplado com o selo IPL do Instituto Pró Livro, que patrocina a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. A criadora, Dulce Auriemo, formada pela FAAP e apaixonada por música, iniciou sua trajetória como compositora, letrista e intérprete gravando o primeiro disco em 1986. Em 1992 foi laureada com um Jabuti na categoria paradidático, em parceria com Amilton Godoy.

Foi depois disso que veio a inspiração para criar o livro/CD “Espantaxim e o Castelinho Mágico “, com 18 personagens e músicas que valorizam ritmos brasileiros. Com o sucesso da obra, surgiu o Projeto Espantaxim, para estimular crianças à música, literatura, preservação do meio ambiente e cultura da paz.

Dentro desse contexto foi lançado em 2010 o prêmio acima mencionado, hoje em sua quinta edição. Seu objetivo é mobilizar professores para que estimulem a escrita criativa de crianças de 7 a 12 anos. Em 2018 o tema foi “Futuro- visão para um mundo melhor”. Os concorrentes deveriam responder ao desafio que seria embarcar numa máquina do tempo e chegar ao ano 2050.

Na ONG “Academia de Artes”, trabalhamos o tema com duas classes e inscrevemos trinta textos nos gêneros prosa e poesia. Em 2016, havíamos classificado uma aluna; quem sabe sucedesse o mesmo outra vez? Então, em dezembro, chegou-nos a notícia de que o poema de Vivian dos Santos Cardoso, 12 anos, fora escolhido. Estava no conjunto dos 200 textos classificados, entre 3393 concorrentes de todo o país.

No dia 13 deste abril, no auditório do MASP, assisti junto à mãe de Vivian à entrega do Prêmio. A cerimônia bonita contou com a presença de Fábio Coelho, presidente do Google Brasil. Gostei muito do seu discurso ágil, cujas ideias foram desenvolvidas de forma mais ampla no prefácio da “V Antologia Prêmio Espantaxim”. Entre outras coisas, ele disse ao auditório lotado:

“Amo tecnologia e tudo que ela pode fazer por nós, mas uma tecnologia só é verdadeiramente disruptiva quando é inclusiva. E inclusão tem a ver com pessoas de origem, condição econômica e nível educacional diferentes. É o que chamamos de diversidade. Um grupo mais diverso de pessoas tem maior potencial de criar inovações que contemplem mais pessoas. Quanto mais inclusiva for uma tecnologia, maiores serão as chances de que ela gere impacto e realmente mude o mundo.”

Depois, dirigindo-se especialmente aos premiados que mantinham ligados seus celulares e buscavam o melhor ângulo para fotografá-lo no palco, completou:

“Com a tecnologia, vocês têm o potencial de ajudar bilhões de pessoas, mas de nada adianta todo esse poder se ele for utilizado para prejudicar o próximo ou o planeta. Se queremos mudar o mundo para melhor, precisamos primeiro ser humildes e aceitar a responsabilidade que acompanha este objetivo. Respeitem as diferenças e criem oportunidades para que todos possam participar de maneira igual e justa, e crescer. Somente assim, o impacto de suas invenções será verdadeiramente grande.”

Até parece que ele havia lido o poema de Vivian, que o leitor pode encontrar na página 4 do caderno Clubinho, nesta edição do Comércio.

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