22 de janeiro de 2020

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Francanos inovam e plantam uvas para produção de vinhos na 'terra do café'

As uvas que estão sendo produzidas vieram de mudas clonadas de cepas da França, onde são produzidos os melhores vinhos do mundo.

Franca 30/11/2019 - Repórter: Kaique Castro, especial para o GCN
Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca
Maurício Orlov mostra as parreiras na fazenda
Em uma região em que predominam as plantações de café e cana-de-açúcar, os agricultores e sócios Fernando Bizanha e Maurício Orlov decidiram tentar, na “terra do café”, uma nova experiência: plantar uvas para a produção de vinho. A primeira safra, com uma plantação de meio hectare, rendeu 250 garrafas de vinho fino.

O plantio das uvas foi feito em uma chácara dentro da cidade de Franca e, após o sucesso da primeira colheita, os sócios compraram uma fazenda localizada a 19 quilômetros da cidade. “Começamos o projeto em 2014 com meio hectare. A produção deu certo e as uvas saíram com uma ótima qualidade. Fabricamos 250 garrafas e distribuímos para familiares e amantes do vinho. A nossa expectativa é que a próxima safra produzirá cerca de 1 mil garrafas”, disse Maurício.

A técnica utilizada pelos agricultores francanos, chamada “poda de inverno”, foi desenvolvida pelo engenheiro agrônomo brasileiro Murilo de Albuquerque Regina. Nessa técnica, ao invés de produzir duas vezes ao ano, a produção é feita apenas uma vez, mas com uma qualidade maior. “Ficamos dois anos procurando o lugar perfeito para a nossa plantação e para a técnica que usamos. O clima da Alta Mogiana é muito bom para as uvas finas e quando formos colher, entre os meses de maio e agosto, os dias são quentes e as noites frias, sem chuva. Essa amplitude térmica faz com que nossa região seja um local favorável para a plantação de uva de alta qualidade para a produção do vinho.”

As uvas que estão sendo produzidas vieram de mudas clonadas de cepas da França, onde são produzidos os melhores vinhos do mundo. Foi necessário uma autorização do governo francês para que o engenheiro agrônomo brasileiro trouxesse as mudas e elas passassem a ser produzidas em plantações brasileiras. As uvas produzidas são do tipo Syrah, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Segundo o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Giuliano Elias Pereira, o Brasil é o único país que tem três tipos de viticultura no mundo. Em 2008 foi realizado um levantamento que apontou o potencial do interior paulista para a produção de uvas finas. Cidades como Jales, São Roque, São Carlos e Espírito Santo do Pinhal são algumas das zonas de interesse no enoturismo (turismo de apreciação e aroma do vinho). “As regiões altas dessas cidades são propícias para o plantio de uvas para vinho. Hoje, com o conceito do Murilo Regina, são 250 hectares de vinhedo plantados no sul de Minas e São Paulo. Já é uma realidade. O Estado de São Paulo, junto com Minas e Bahia, serão tendência no mercado de vinho nacional e internacional.”

O investimento dos agricultores francanos já passou de R$ 1 milhão e, segundo Maurício Orlov, a ideia é fazer a vinícola na própria fazenda nos próximos anos. Com a implantação da vinícola, ele espera produzir mais de 30 mil garrafas por ano.

No município de Franca, a Fazenda Arcano é a única que produz uvas finas, mas de acordo com a unidade da Secretaria de Agricultura do Estado em Franca, outras fazendas produzem uvas de mesa, cujo plantio não é realizado da mesma forma das uvas finas.

Interior Paulista forte na plantação de uvas finas

Apesar do plantio e fabricação de vinhos em Franca ser relativamente novo, outro município da região vem chamando a atenção no mundo dos vinhos: Ituverava. Lá fica localizada a fazenda Santa Maria, do deputado federal italiano Beto Lorenzato. Além da plantação, o político produz o vinho em sua própria vinícola, a Marchese Di Ivrea, que fica dentro da fazenda. Em 17,5 hectares de terra são plantadas quatro variedades de uvas. Atualmente produz 50 mil garrafas por ano, sendo 7% para exportação e o restante comercializado no Brasil. A propriedade abre para visitação do público todos os sábados. As pessoas podem provar os vinhos, degustar de comidas italianas e finalizar tomando um bom café.



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