24 de janeiro de 2020

Opinião

Palavras

Encontrei , em revista antiga, artigo com título instigante e apetitoso, “Palavras que nunca foram ditas”.

Opinião 09/11/2019 -
Encontrei , em revista antiga, artigo com título instigante e apetitoso, “Palavras que nunca foram ditas”. Poderiam ser palavras de desamor, responsáveis pelo encerramento de paixões; ou, quem sabe, de perdão, que teriam mudado o rumo da história de pessoas. Vai ver, palavras doces que deliciaram corações, mas não eram esses os propósitos. Ao longo de anos e citações, dizia o artigo, foram colocadas nas bocas de personalidades palavras e expressões que elas nunca disseram; que foram ora distorcidas, ora mal interpretadas e até reinventadas. Popularizaram-se e fica difícil acreditar que não fazem parte da realidade.

Começaria pelo “Independência ou Morte!”. Nunca foi brado retumbante e, segundo outra versão, não houve condições heróicas. O artigo começa com o “No entanto ela se move”, frase supostamente proferida por Galileu ao se defender de acusação de heresia diante do tribunal do Santo Ofício. Diz a lenda que após se retratar e negar suas idéias sobre Heliocentrismo, ousadamente resmungou que “...E pur si muove!”, que não possui qualquer confirmação. Outra curiosidade, Voltaire jamais disse a frase “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Dizem, é de Evelyn Beatrice Hall, sua biógrafa, a expressão que simboliza o direito de livre expressão. Na sequência, “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”, icônicas palavras de Neil Armstrong que, afirma ele, teriam sido “Um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade”, que daria novo sentido à frase toda. “Elementar, meu caro Watson”, dizem, são palavras ligadas a Sherlock Holmes, mas ninguém nunca as leu nos livros originais de Sir Arthur Conan Doyle. Cabotino, o tempo todo Sherlock louva seus próprios dotes, sua superioridade intelectual. Sim, em O Corcunda, ele usa a palavra “Elementar!” e em A Caixa de Papelão, “Superficial, meu caro Watson!”. Junta uma coisa com outra...

O cinema também é fonte de milhares de frases que nunca foram ditas. No dramático Casablanca, clássico americano protagonizada pelo trio Ingrid Bergman, Humphrey Bogart e Sam – Dooley Wilson - pianista conhecido do casal, há uma delas, clássica. Ninguém disse “Play it again, Sam”, citação recorrente até entre quem não viu o filme. É extraordinário porque o que nunca foi dito, tornou-se famoso e muito mais conhecido que o pedido feito na própria cena original quando Ingrid se aproxima do piano e do pianista e pede “Toque uma vez, Sam. Pelos velhos tempos”. No final de Casablanca, Humphrey Bogart, ou Rick, imortaliza outra frase “Nós sempre teremos Paris”, real, mas não tão famosa como a que nunca foi dita...

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Quanto existe de real naquilo que vemos e ouvimos? “O sítio não é meu!”, verdade ou mentira? “Não existe uma alma mais honesta do que eu neste país!”, realidade ou fantasia?


Lúcia Helena Maníglia Brigagão
Jornalista, escritora, professora
luciahelena@comerciodafranca.com.br 



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