
A Festa de Pentecostes anima a Igreja a experenciar a presença e a ação do Espírito depois da ressurreição de Jesus até os dias presentes
Pentecostes sinaliza que somos e formamos um só corpo eclesial de seguidores da missão e da obra de Jesus Cristo. As diferenças nos modos de louvar, pensar, orar, manifestar não nos devem impedir de trabalhar juntos para que o reinado de Deus tenha sua manifestação entre nós.
1ª LEITURA — ATOS, 2
O livro de Atos dos Apóstolos reconstrói o movimento de Jesus depois de sua ressurreição e possui três características fundamentais: é um movimento animado pelo Espírito; um movimento missionário, e um movimento cuja estrutura básica é representada pelas pequenas comunidades domésticas. O tempo posterior à ressurreição de Jesus é, desse modo, um tempo privilegiado do Espírito Santo e é exatamente isso que o livro de Atos resgata. Eis, porque muitos o chamam de “ Evangelho do Espírito Santo” e que os Atos dos Apóstolos magnificamente, sintetiza: “receberão a força do Espírito Santo para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os extremos da Terra”.
O Livro dos Atos narra os dois modos que o Espírito Santo trabalha pela unidade da Igreja: de um lado impulsiona a Igreja para fora, para abraçar na sua unidade um número sempre maior de povos e culturas, e de outro lado para dentro, para fortalecer-se na unidade. Anima a Igreja se estender para a universalidade e a viver a unidade na pluralidade.
2ª — 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS 12
De onde surgem as divisões no seio das nossas comunidades? Das invejas, dos ciúmes de alguns em relação aos outros. Na comunidade de Corinto os cristãos não eram melhores do que os de hoje, cometiam os mesmos pecados, tinham os mesmos defeitos. Na verdade estavam divididos por causa dos diversos carismas (isto é, dos diversos dons) que tinham recebido de Deus.
Paulo escreve a estes cristãos para lembrar-lhes que os muitos dons, as muitas qualidades que cada um deles tem, não lhes foram dados para criar divisões, mas para promover a unidade. Para mais facilmente conseguir convencer os cristãos do ideal da unidade e do serviço mútuo, Paulo se serve da analogia do corpo. Os cristãos formam um só corpo, composto de muitos membros. Cada membro deve cumprir a sua função para o bem de todo o organismo. Assim acontece com os diversos dons dos quais está dotado cada membro da comunidade: servem para que cada um possa manifestar aos outros o seu amor, mediante a prestação humilde de serviço.
EVANGELHO — JOÃO 20
O Evangelho de hoje narra o primeiro encontro de Cristo ressuscitado com os seus discípulos. João nos diz que foi justamente neste primeiro encontro que Jesus comunicou o seu Espírito aos apóstolos, mediante o gesto de soprar sobre eles.
No povo de Israel estava muito difundida a ideia de que os homens praticavam o mal porque estavam possuídos por algum espírito mau e o povo se perguntava: quando acabará esta triste situação? Cada um de nós passa por esta experiência do espírito mau dentro de si. É aquela força que nos impele à embriaguez, à prostituição, ao adultério, ao roubo.
E quando Deus arrancará do nosso coração este espírito mau? Segundo o que nos ensinam inúmeros textos do Novo Testamento, nós acreditamos que esta transformação interior é operada pelo Batismo.
Ao examinarmos nossa vida, provavelmente vamos admitir que praticamos injustiças, que temos ódio, que nos deixamos dominar pelo mal, mais ou menos como antes do batismo. O que destrói o pecado é a presença do Espírito. Quem recebeu este dom não deve, porém, guardá-lo para si, deve comunicá-lo aos outros. Onde o Espírito entra, o pecado é destruído.
A Igreja deve criar condições para que o Espírito entre no coração de todos os homens. As palavras de Jesus são, pois, apelo à responsabilidade. Todos os discípulos de Cristo devem estar conscientes de que pecados não serão apagados se não se comprometerem a criar as condições, a fim de que todas as pessoas abram o próprio coração á ação do Espírito.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br