Cão que mia

Opinião Luiz Neto A- A+ 21/01/2012

Conversei ontem com Aleni Papacídero, uma das líderes do grupo Cão que Mia, personagem respeitada e contestada na mesma medida, na Franca atual

Respeitada porque quem gosta de cães e gatos vê nela uma dedicada – e incompreendida – heroína dos direitos dos animais. Contestada porque acham que ela tem que aceitar todos os animais que lhe levam para cuidar e encaminhar, e ela não aceita, deixando sempre muito claro seu descontentamento com quem bate à sua porte com pedidos do tipo.

Aleni é brava. Não escolhe palavras para chamar a atenção de quem a procura. Chega a endurecer, às vezes. O que acontece é que, pela experiência de anos, convenceu-se que as pessoas deveriam ter espírito de cidadania e respeito por animais, mas não têm. Não perdoa aqueles que querem se livrar do trabalho de cuidar com ética e respeito. Especialmente – e a conclusão é minha – não gosta dos que batem à sua porta de sua casa ou de Cão que Mia como se o grupo tivesse o condão de resolver tudo num passe de mágica. Não há mágica e só há sacrifício, disse-me ela.

Aproveito para desfazer um mal entendido: ao contrário do pensa a maioria, Cão que Mia não é uma Ong. Fosse, teria sim que ampliar suas atividades de forma a atender pedidos de agasalho a animais desamparados até o limite dos subsídios financeiros que Prefeitura, Estado lhes repassassem. Mas não é.

Essa informação é relevante. Franca não tem uma política de cuidados institucionalizada quanto a animais abandonados. Nem mesmo, abrigo com cuidados decentes. Deveria ter.

A Cão que mia é só um grupo de amigos, oito pessoas que nas mais variadas circunstâncias deixam de lado familiares e atividades pessoais para dedicarem-se a cuidar de animais, defendê-los, procurar quem possa adotá-los. Isso tudo, gastando - não pouco - dinheiro do próprio bolso.

É claro que a atividade que criaram se tornou conhecida. E foi ai que os problemas começaram. Quem ouvia falar entendia que, por obrigação, seria o grupo o porto seguro da bicharada. No início, Aleni e seus companheiros explicavam com cuidado, zelo e paciência. Ainda assim, a demanda cresceu. Entenderam que não deviam deixar dúvidas. Escolheram um discurso mais duro. Continuam não admitindo o que chamam de falta de cidadania e continuam agasalhando animais que ninguém quer, um pouco na casa de cada membro do grupo, tratando, alimentando, vacinando, castrando - em benefício do controle de superpopulação - e a partir de programas da Prefeitura ou de veterinários voluntários, só um ou dois, por sinal.

Pois bem. A cidade não tem programas para agasalhar e cuidar de animais de rua, ou ninhadas inteiras que se produzem todos os dias gerando ‘problemas’ para proprietários de animalzinhos pai ou mãe que têm em casa, mas não pensa em castrar. A solução mais praticada, hoje, é deixar na porta das casas dos voluntários. Ou então, na calada da noite, jogar em terrenos baldios ‘bem longe”. Aleni tem que viver brava, mesmo. Com pessoas, com o poder público, com o número de voluntários que não cresce. Tomara que o fôlego não acabe...

VISITAS ÍNTIMAS
O advogado e farmacêutico Éder Brazão contou-me que em 90 dias passa a vigorar lei que garante visita íntima a internos da Fundação Casa. Vale para menores infratores detidos que são casados ou que têm relação estável. Este Brasil é especialista em leis com brechas. E há especialistas em encontrar brechas. Daqui a pouco namoradas e ‘ficantes’ certamente, também serão autorizadas a entrar, sob as bençãos do Estado...

O CHACOALHÃO DE SOWELL
Kevin Sowell, americano, atleta do basquete de Franca, gritou esta semana na rede social: não há companheirismo ou solidariedade entre os jogadores. Horas depois, postou pedido de desculpas, foi ao jogo contra o Uberlândia e, de novo, deixou claro que é um dos melhores atletas do atual elenco. Coincidência ou não, o grupo que ele cobrou vibrou como fazia tempo que não víamos. O time vai vivendo de puxões de orelha em puxões de orelha. Sidnei Rocha, Prefeito, com a adjetivação “medíocre” de meses atrás, ajudou, mas depois se calou. Que Sowell não o repita e continue cobrando. Parece que a velha raça do basquete francano só volta quando sofre trancos.

GUIDO BETTARELLO
O delegado aposentado Guido Bettarello, personagem referencial das atividades da Polícia Civil francana, fez 92 anos ontem. Lúcido, alegre, pregador de que a amizade é quase tudo que o ser humano precisa para ser feliz, continua merecendo o carinho desta terra e de sua gente. Cumprimento-o em mais um ano dos muitos que ainda haveremos de estar próximos.

MEDO DE FALAR EM PÚBLICO?
Você treme, a garganta seca, a palma das mãos sua e fica fria, o estômago incomoda, “brancos” de memória surgem quando tem que falar em público? Tem solução. O Senac me encomendou mais duas atividades de treinamento na área, uma para fevereiro e outra, em março. Estão abertas para quem compreender porque isso se dá e como vencer esse medo. Não são muitas vagas.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

4 Comentários

  1. Gostei

    Olá,eu gosto muito da cão que mia,pórem eu quero fazer uma grande queixa!! A ONG me deu um cachorinho cheio de vermes,e nem me avisaram que ele tinha! O que que eu acho???? Eu acho que antes de sair doando cachorros elas precisam cuidar beemmm meellhhooorr da saude deles,eu estou muito decepcionada,e vou devolve-lo,ele chora a noite toda e não deixa ninguem dormir,eu vou ligar para ong e devolve-lo,por que antes de sai doaando cachorros pra qualque um eles devem cuidar da saude deles e os vermes no cachorro podem matar ele!!!!

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    A grande pergunta é: Existe punição para alguém nesse país ? Será que esses calhordas que se dizem Representantes do Povo não estão vendo para onde nosso país está rumando ? A grande verdade é que somos só números,estatísticas e votos, nada mais, não se engane a Sra. Aleni Papacídero, que tive o privilégio de conhecer está lutando uma guerra que se a população e o poder público não ajudar ela vai perder, saibam que um famoso e renomado filósofo todo aquele que não gosta e maltrata qualquer animal é digno de pena e o pior são pessoas de má índole seja quem for, se conhecer alguém que pensa dessa forma é melhor não ser amigo dele ou dela.( entre no site abaixo e vamos fazer a diferança ) http://www.crueldadenuncamais.com.br/

  3. 7 pessoas gostaram Gostei

    Aguardemos, pois, a nova moda entre a bandidagem iniciante: transar em CASA ( na Fundação, logicamnete). E se não tiver, visita íntima, haja colchão para se queimar.....haja rebelião......... Em tempo: Nos motéis , a entrada de menores não infratores continua proibida, né?

  4. 7 pessoas gostaram Gostei

    Dá-lhe, hipocrisia! Na hora de ajudar grupos como o Cão que Mia (que eu tenho o prazer e honra de ser voluntária) que batalham pelos direitos dos animais, dar um prato de comida ou ração, cobertores ou um simples carinho, ninguém quer sujar a roupa, reclama em jornal/revista de quem ajuda como fizeram aqui, ou se dar ao trabalho de ir à rua pra estender a mão a um animal, não é mesmo? Admiro o trabalho do grupo Cão que Mia, que só conta com a boa vontade de suas idealizadoras e voluntários, e com o amor que eles têm pelos animais. Se a população soubesse dos sacrifícios que a Aleni e o Cão que Mia fazem para dar uma vida melhor aos bichos, não julgaria, e sim, ajudaria.

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