RSS

Guarda dos filhos


Data: 19/08/2012

Em termos ontológicos, de passado da humanidade, o homem nunca se preocupou muito com o interior da família ou do clã. Sua função era outra. Prover o sustento e a segurança do grupo. Em função disso, nunca se ligou muito aos cuidados com os filhos, já que estava seguro que esse trabalho seria muito bem feito pela mãe.

Obviamente, isso não quer dizer que antigamente não havia o amor ou a preocupação paterna em relação aos filhos, mas apenas mostrar uma questão cultural que influenciou praticamente todo o mundo ocidental. De forma geral, os homens sempre estiveram mais distantes dos filhos.

Nesse sentido, é importante perceber a mudança que parece estar ocorrendo no comportamento masculino dentro da sociedade brasileira. Como tudo muda, era também de se esperar que o hábito de macho rude e ancestral fosse aos poucos cedendo aos apelos civilizatórios de nossa evolução.

Matéria publicada por este Comércio no domingo, 12/08, mostrou que cada vez mais os homens estão entrando com ações na Justiça solicitando a guarda dos filhos, algo antes inconcebível tanto para eles como também para suas mulheres. Especificamente em Franca esse número parece estar crescendo ano a ano. Em 2011, foram 324 ações de guarda e de modificação de guarda, quando se pede que o filho deixe a mãe para viver com o pai. Nesse ano, até junho, o número já era de 104 pedidos.

Esses números, além de surpreendentes, são também importantes para minar ainda mais a nossa extemporânea diferença de gêneros. Nos dias de hoje, para além da já consolidada presença feminina no mercado do trabalho, podemos perceber que as mulheres adentraram também vários outros setores da vida social e política, anteriormente muito bem guardados pelos homens. Para o bem ou para o mal, as mulheres estão invadindo até mesmo o mundo das drogas e do crime, e não apenas no papel secundário de mulher do criminoso, mas como protagonista e líder.

Diante dessas realidades, os homens assumem maiorresponsabilidade diante de seus filhos. Mesmo considerando que na maioria dos lares brasileiros e francanos a maior parte das tarefas ligadas às crianças ainda recaia sobre as mulheres, é imperativo que os homens comecem a assumir cada vez mais o seu papel de pai. Mesmo que se separem, não têm o direito de simplesmente desaparecer, como ainda acontece com muitos pais de família.

De qualquer forma, com essa atitude positiva e mais civilizada por parte dos homens, talvez possamos experimentar no futuro uma situação inusitada, na qual os filhos não mais precisem ser disputados, caso os pais se separem. Com bom senso e responsabilidade, poderão deixar suas crianças com aquele que tiver melhores condições de cuidá-las, a despeito de qualquer ranço relacionado ao gênero.

Compartilhar
Comentários sobre esta notícia

Mais Blogs