Pacientes e acompanhantes se revoltaram com a demora no atendimento oferecido no Pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz” na noite de quarta-feira. Segundo eles, a espera durou em média quatro horas. Uma dona de casa que chegou à unidade às 22 horas só foi consultada às duas da madrugada. Alguns pacientes não tiveram a mesma paciência, desistiram do atendimento e foram embora, já que a dor ou mal-estar deu lugar à preocupação em acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Revoltados, os usuários do serviço de emergência disseram que havia apenas um médico no PS - em alguns momentos, nenhum - para atender pelo menos 30 pessoas. A Secretaria de Saúde nega o cenário narrado pela população (leia texto nesta página).
Os mais de R$ 5,4 milhões investidos no novo prédio do PS, inaugurado há três semanas, parecem não resolver um velho problema: a demora no atendimento.
Segundo a empregada doméstica Leandra Aparecida Silva, 38, ela chegou ao PS às 20h20 de quarta-feira e, após aguardar quatro horas, precisou invadir a área da enfermaria para que sua filha de 17 anos fosse atendida. “Sem chamarem, eu entrei no consultório e disse que minha filha tinha piorado, estava desmaiando. Aí, o médico chamou e colocou ela no soro até às 3 horas e não conseguiu descobrir o que ela tinha.”
De acordo com a dona de casa Elaine Cristiane Cesar Silva, 41, o atendimento demorou quatro horas e meia para acontecer. “Cheguei às 21h33 com pneumonia, mediram minha pressão às 22 horas e só fui atendida pelo médico às 2 hora. Perguntei o motivo da demora e uma enfermeira disse que só tinha um médico atendendo e, quando ele saiu para jantar, não ficou ninguém no lugar dele. Prédio bonito não resolve o problema do povo, não... Quando os médicos não estão dormindo, eles estão jantando.”
A falta de médicos causou até desistências na espera. É o caso da balconista Rosemar Rodrigues de Souza, 30, que esperou três horas por atendimento juntamente com seu marido. “Estava com uma forte dor na nuca, chegamos às 21 horas no PS e quando deu meia-noite não aguentamos e fomos embora sem atendimento”, disse. “Tem pessoas que dá para esperar atendimento, mas tem casos que você vê na expressão da pessoa que não dá, pessoas chorando, passando mal”, completou o marido de Rosemar, o sapateiro Edvaldo Gomes, 35.