O que era para ser solução acabou virando um grande problema. Em outubro de 2011, a cozinheira Rosângela Elizabeth Silva, 45, submeteu-se a uma cirurgia de vesícula na Santa Casa de Franca, através do SUS (Sistema Único de Saúde). Em dezembro, o cirurgião que realizou a operação deu alta à paciente, que voltou a trabalhar normalmente em seus dois empregos. Em fevereiro deste ano, Rosângela começou a sentir dores no local da cirurgia. Voltou a procurar o médico que, segundo ela, não tomou providências em relação ao problema. Hoje, cinco meses depois, Rosângela apresenta um caroço gigante que tomou toda a extensão da cicatriz da cirurgia. “Nunca me pediram um exame. Só disseram que é uma hérnia. Estou à míngua”, desabafa ela que desde abril está afastada do trabalho.
Rosângela afirma que, quando notou o início do inchaço em seu corpo, procurou o médico que a operou. “Da primeira vez (em fevereiro), falei que estava sentindo muita dor por dentro da cicatriz. Eu sentia umas agulhadas no estômago. Mas ele disse que era normal, que eu podia trabalhar, podia beber, podia comer. Disse que eu poderia fazer o que eu quisesse. E eu continuei trabalhando. Nisso essa cicatriz só cresceu.”
Rosângela diz que na segunda vez em que procurou o médico, em março, não foi atendida. “Fiquei mais ou menos uns 30 dias sem encontrá-lo. Com isso o inchaço foi piorando, até chegar ao ponto de eu não conseguir mais trabalhar. Pedi afastamento, e estou parada.”
De acordo com a cozinheira, o médico que a operou a atendeu pela última vez em abril. Na ocasião, ele teria dito que Rosângela deveria ser internada para passar por outra cirurgia. “Ele me deu um encaminhamento para cirurgia, só que ele classificou a cirurgia como eletiva. Quando levei o encaminhamento à Secretaria (de Saúde) me falaram que ele já deveria ter me internado e me operado. Mas como ele classificou como eletiva, significava que meu caso não era urgente e que eu teria que entrar na fila (das eletivas).”
Com as dores e o inchaço cada vez maiores, Rosângela recorreu a um perito do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para formalizar seu afastamento do trabalho. “O perito constatou que meu caso é grave, que eu não poderia esperar muito tempo (para fazer a cirurgia). No começo de julho, eu fui à Secretaria de Saúde e falei com a Ouvidoria. Eles disseram que a minha cirurgia não era grave. Mas como não é grave? Esse inchaço eu só vejo do lado de fora, não sei como está por dentro.”
Além do médico que a operou, Rosângela foi examinada no último mês no NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial) por um gastroenterologista. “Ele também disse que eu não posso esperar mais, e que eu corria risco de ter uma parada cardíaca.”
DIFICULDADE
Afastada dos empregos, Rosângela conta atualmente com o benefício pago pelo INSS. “Antes eu tinha duas rendas. Hoje estou somente com a do INSS. Minhas contas estão todas vencidas. Aqui em casa eu sou pai e mãe dos meus cinco filhos, só eu trabalho. Estou me endividando.”
Além do incômodo físico, a autoestima da cozinheira já não é mais a mesma. “Não tenho vontade de sair na esquina. As pessoas perguntam se eu estou grávida, querem saber o que é. É constrangedor. Nem na catraca do ônibus eu consigo passar, porque dói demais onde está inchado. E aí eu tenho que explicar para o cobrador, mostrar o inchaço.”