Relatos do antigo povo cristão contam que o pai de Cristina, Urbano, era pagão e um oficial do Império, que ao saber da conversão da filha, queria obrigá-la a renunciar ao Cristianismo. Por isso, decidiu trancar a filha numa torre na companhia das doze servas pagãs. Para mostrar que não abdicava da fé em Cristo, Cristina despedaçou as estátuas dos deuses pagãos existentes na torre e jogou janela a baixo, as joias que as adornavam, para que os pobres pudessem pegá-las. Quando tomou conhecimento do feito, Urbano mandou chicoteá-la e prendê-la num cárcere. Nem assim conseguiu a rendição da filha e, por isso, a entregou aos juízes. Cristina foi torturada terrivelmente e depois jogada numa cela, onde três anjos celestes limparam e curaram suas feridas. Como solução final, o governante pagão mandou que lhe amarrassem uma pedra ao pescoço e a jogassem num lago. Novamente anjos intervieram: sustentaram a pedra que ficou boiando na superfície da água e levaram a jovem até a margem do lago. As torturas continuaram, mesmo depois de seu pai ser castigado por Deus e morrer de forma terrível. Cristina ainda foi novamente flagelada, depois amarrada a uma grade de ferro quente e colocada numa fornalha superaquecida, mordida por cobras venenosas e teve os seios cortados, antes de finalmente ser morta com duas lanças transpassando seu corpo. Assim, o seu martírio foi divulgado pelo podo cristão desde 23 de julho de 287, data de sua morte. A festa de Santa Cristina foi confirmada e mantida pela Igreja neste dia.
Oração
Do silêncio interior
Deus, nosso Pai, tudo fala de vós e tudo canta vosso louvor. No seio dos acontecimentos humanos, nos enviais mensagens de esperança e soerguimento. Passais por nossos corações como brisa refrescante, aliviando nossas penas, sarando o que está enfermo, endireitando o que é tortuoso. Por vosso amor, concedei-nos a graça do recolhimento, do silêncio interior, da escuta atenta e diligente de vossas mensagens de amor. Que ao vos buscar possamos encontrar-nos convosco e com nossos irmãos. Silenciai em nós os ruídos das trivialidades. Cessai a agitação de nosso muito vagar e pouco encontrar. Ensinai-nos a humildade das sementes que em silêncio rompem a terra buscando a luz na superação de sua própria dissolução.
Os Cinco Minutos dos Santos/J.Alves
São Paulo, editora Ave-Maria