O Teatro Judas Iscariotes acolheu na tarde do último sábado a presença do pintor Wagner de Castro, que esteve em Franca, sua terra natal, para uma tarde de autógrafos dedicada à coletânea Ensaio para uma pintura espírita, que reúne 64 obras do artista. O evento integrou a comemoração dos 70 anos do Templo Espírita Vicente de Paulo.
Em uma escrivaninha instalada na entrada do teatro, Wagner, aos 95 anos, recebia a todos com um sorriso no rosto e disposição para conversar com quem ‘puxava papo’. Ao Comércio, falou sobre sua trajetória e obra. “Eu nasci em uma casa espírita. Meu pai vinha almoçar e o clima era sobre espiritismo. Fui a companhia de minha mãe e ela frequentava as sessões (espíritas) do Dr. Militão Pacheco, em São Paulo. Aos 11 anos comecei a pintar.” Esse início, aliás, guarda uma história curiosa. Wagner lembra que na época a pintura de paredes era artesanal, sem o uso de rolos e, quando sua casa esteve em reforma, uma oportunidade apareceu. “Os pintores preparavam os pigmentos de tinta manualmente naquela época e, por descuido, deixaram esses pós em casa e eu comecei a pintar.” Aí não parou mais. Desenvolveu uma técnica própria e original que se desprende das escolas artísticas. Quando ainda morava em São Paulo, chegou a frequentar a Escola de Belas Artes como ouvinte livre, mas desistiu. Ainda que sem teoria, o caminho escolhido foi de sucesso. Wagner é prestigiado com uma exposição fixa na Casa da Cultura de Passos (MG), onde há mais de 70 anos reside e, devido ao público que procura por suas telas, a sala que leva seu nome, será duplicada em breve. Outros centros culturais como o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, o Museu de Arte de Belo Horizonte, o Museu Biográfico e Literário Casa Guilherme de Almeida (SP) e o Museu do Café em Ribeirão Preto também abrigam sua arte.