“Política? Que coisa chata!”. Não são poucos os jovens que um dia já proferiram essa frase, preferindo se concentrar em namoros, futebol, música, filmes ou séries de TV. Mas nem todos são assim. Em Franca, já existem muitos jovens que acreditam que o engajamento político é o melhor ou até mesmo o único jeito de melhorar a uma sociedade.
Um exemplo de jovens que pensam assim é o do movimento coletivo “Domínio Público”, formado por cerca de 30 estudantes de instituições e escolas como a FDF (Faculdade de Direito de Franca), Unesp, UNI-FACEF, Escola Industrial “Dr. Júlio Cardoso”, Escola Estadual Hélio Palermo e cursinhos populares da cidade.
A principal bandeira do “Domínio Público” é a democratização da educação - ou seja, eles lutam por uma educação gratuita e de qualidade para todos. Ao mesmo tempo, eles também se consideram um movimento social. Por isso, recentemente, os integrantes do grupo participaram dos protestos conta o aumento da tarifa do serviço de ônibus na cidade. Primeiramente, eles distribuíram panfletos sobre a mudança no valor da passagem para usuários do serviço, chegando também a realizar uma manifestação no Terminal “Ayrton Senna” no último dia 4. Como nem a empresa responsável pelo transporte nem os órgãos públicos responderam às ações, na última quarta, 11, um grupo de 60 estudantes realizou um protesto na própria Prefeitura, pedindo uma reunião com o prefeito -que, até agora, não aconteceu. “Tentamos falar com o Sidnei pelo fato do serviço de transporte público ser apenas terceirizado. O poder está nas mãos dele, então ele poderia mudar essa situação”, comenta Luis Stival, 22, estudante de História da Unesp e um dos parti
cipantes do “Domínio Público”. Perguntado sobre o teor do protesto - regado a muito barulho gerado por megafones - o estudante explica que eles não tinham como objetivo “agredir ninguém”, mas sim chamar a atenção, não só do prefeito, mas da população também.
UNIVERSIDADES E ESCOLAS
As universidades e faculdades também são um ambiente perfeito para um jovem entrar na luta política, por causa dos centros e diretórios acadêmicos. Leandro Teodoro, 22, aluno do quarto ano de Direito na FDF e coordenador-geral do diretório acadêmico “28 de março”, explica que o seu diretório atua não só em assuntos referentes à própria cidade, mas também a problemas da própria faculdade. “Nós discutimos como o curso de Direito pode ser melhorado, além de realizar ações como tentar aumentar o número de bolsas da faculdade e realizar debates sobre o combate ao racismo, machismo e homofobia”, descreve.
Mas não é preciso ser universitário para entrar de cabeça em assuntos políticos: para isso, existem os grêmios estudantis. Que o diga Murilo Aguiar Silva, 17, estudante do terceiro colegial na Escola Estadual “Hélio Palermo” e primeiro secretário do grêmio da instituição. “Lugar de fazer política é na escola, não só em dia de eleição”, enfatiza, revelando que, quando foi convidado a entrar para o órgão, sugeriu que o grêmio se unisse ao “Domínio Público” pelas lutas sociais que já realizava. Silva chegou a ideia de dar o mesmo nome do coletivo de Stival ao grêmio da escola.
Algumas das funções do “Domínio Público Hélio Palermo” incluem ajudar na organização de eventos da instituição como a Festa da Primavera, Festas Juninas e Campeonatos Interclasses. Mas não para aí: Silva esclarece que o grêmio também tem como meta politizar os estudantes. Para isso, já realizaram debates e ainda pretendem passar filmes com teor político para os alunos. O grêmio também não é alheio à política local: já participou de manifestações na Câmara Municipal e dos protestos recentes contra a São José.
JUVENTUDE ALIENADA?
E quem quiser entrar nessa luta, precisa saber tudo de partidos políticos, eleições, etc.? Para Stival, ser engajado não significa apoiar a candidatura de um determinado candidato, por exemplo. “Na verdade, nós queremos usar a política como um meio de transformar e democratizar a sociedade. Por isso, atuamos em assuntos do cotidiano, centros e diretórios acadêmicos, grupos de estudo... A gente faz política todos os dias do ano”, revela.
Teodoro completa que, em Franca, não só os jovens, mas toda a sociedade é apática quando o assunto é política (ou seja, é “alienada”). Mas o estudante esclarece que vem percebendo um aumento no interesse da juventude nos assuntos políticos. “Eles estão cada vez mais indo às ruas, como o protesto contra o aumento de cadeiras dos vereadores na Câmara Municipal, no ano passado”, explica.
Ficou com vontade agora de se envolver com política, mas não sabe por onde começar? Stival dá algumas dicas para os novatos. “Primeiro, é preciso entender quais são os movimentos sociais da cidade, não só os estudantis, como o Movimento dos Sem Terra e dos sem Teto, ler jornais, além de acreditar que tudo na sociedade pode ser transformado”.