Uma pesquisa realizada pela consultoria Quorum Brasil concluiu que uma pequena parcela dos jovens paulistas se preocupa com seu futuro financeiro. A análise revelou que 31% dos garotos e 38% das garotas com idades entre 15 e 17 anos, residentes no Estado, discutem em seus ciclos social e familiar maneiras de investir e/ou poupar o dinheiro que recebem. Além disso, foi constatado que 86% desses jovens organizam suas finanças por achar a prática importante, enquanto 14% fazem isso porque os pais acham importante.
Esses dados revelam um novo perfil de consumidor se formando. De acordo com o economista Hélio Braga, esse vínculo entre o jovem e o dinheiro é um reflexo do anseio de conquistar um melhor status social. “Em relação à consciência dos jovens com as questões financeiras, provavelmente a preocupação com o futuro tenha despertado maior interesse em postergar o consumo presente para um padrão material de vida melhor a longo prazo.”
Guilherme Chiareli Silva tem 18 anos e se encaixa no grupo dos que se preparam para o futuro. Além de se dedicar a um curso profissionalizante na área administrativa, ele ainda trabalha como aprendiz durante a semana. Com o salário que recebe, se desdobra para poupar, ajudar em casa e se divertir, mas acredita que antes de economizar, é necessário traçar algumas metas. “Em média guardo R$ 75 por mês. Tenho em minha cabeça de que poupar não é aquela coisa de ficar uma eternidade juntando dinheiro para ‘algo’ do futuro, sem nenhum objetivo. Na minha opinião, poupar dinheiro é saber gastá-lo e usá-lo para algo que você já queira, seja ele um celular novo, ou seu futuro carro. O objetivo é tudo.” No momento, sua preocupação é guardar para investir em um curso superior.
Marcelo Lemos também começou cedo. Desde os 16, o vendedor de peças automotivas tem o hábito de trabalhar seu dinheiro. Hoje, com 28 anos, ele conta o que já conquistou com o que juntou. “Atualmente tenho uma casa localizada no Residencial Meirelles, um carro Gol 2001 e acabei de adquirir um terreno no bairro Primo Meneghetti, onde espero logo conseguir construir uma casa neste terreno.”
Para quem se animou com a ideia de segurar o consumo presente na expectativa de obter lucros, Marcelo dá a dica. “Procuro investir meu dinheiro em imóveis e guardo uma reserva na poupança, pois caso apareça algum imprevisto tenho onde recorrer. Também procuro oportunidades de ganho rápido, ou seja, aquelas em que você adquire um bem abaixo do valor de mercado e o revende pelo preço certo. Por isso, sempre é bom ter um dinheiro guardado, pois quando essas oportunidades aparecem é a hora de ganhar dinheiro.”
O INVESTIMENTO
As formas de investimento são várias, é importante saber qual a mais adequada para suas pretensões e receita, como alerta Hélio Braga. “Não é tão fácil definir a melhor aplicação hoje em função do momento de turbulências econômicas, basta observar o movimento das bolsas, a perspectiva de redução da taxa de juros aqui no Brasil e seu impacto na poupança e outras aplicações, contudo, talvez aplicar em Previdência Privada seja uma forma de garantir uma vida melhor lá na frente.” O economista ainda afirma que para os jovens de baixa renda, a decisão de investir depende muito da sua capacidade de sacrificar desejos momentâneos de consumir.
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