Capital nacional do calçado e do basquete. É assim que Franca é conhecida por quem é de fora e até mesmo por cidadãos locais. Mas, graça a três instituições de ensino, outra característica da cidade já vem ganhando destaque e a história de Carlos Antônio Chagas Júnior, que assumiu recentemente um fórum de Porto Velho-RO, coloca o Direito como outro grande atrativo e diferencial da cidade.
Carlos tem apenas 28 anos, se formou em Direito pela FDF (Faculdade de Direito de Franca) em 2006 e em 19 de janeiro deste ano tomou posse do 14º TRT (Tribunal Regional do Trabalho) como defensor dos direitos trabalhistas daquela população após superar um concurso nacional que tinha mais de cinco mil candidatos para apenas 16 vagas.
Hoje ele está em Brasília, onde, durante um mês, ficará se aperfeiçoando na área do Direito em que mais se identificou. “O direito trabalhista é uma área apaixonante. Além de ser o bloco que faz o país ir para a frente, tem vários outros detalhes interessantes. É preciso ver o lado do trabalhador, que muitas vezes sofre com abusos, porém é preciso enxergar o lado da empresa, que também é vitima em muitos casos”, conta Carlos.
Mas foi preciso muito sacrifício para chegar lá. Quando estava no terceiro ano de faculdade ele passou em um concurso público e trabalhou no Fórum de Franca. “Era uma loucura. Quando não estava na faculdade, estava no trabalho. Então não existiam sábados, domingos e nem feriados. Mas estes são sacrifícios de quem sabe o que quer, e desde esta época eu já sabia que queria ser um juiz”, afirma. Com a graduação concluída, começou a luta para assumir o cargo com que sonhara. “É um concurso muito complicado, dividido em cinco fases. Para se ter uma ideia, apenas sete pessoas conseguiram ingressar, mesmo havendo 16 vagas. Logo outro concurso será realizado para que estes espaços sejam cobertos”.
A região onde Carlos trabalha já lhe conquistou e ele não pretende sair de lá tão cedo. “Como foi um concurso nacional eu poderia optar por outros lugares e até mesmo voltar a Franca, mas pretendo ficar aqui por um bom tempo. O povo é muito hospitaleiro e a cultura é muito rica. O povo do Sudeste tem muito preconceito com relação ao Norte, falando que lá só tem índios, quando na verdade tudo é maravilhoso”. O juiz só pretende voltar a cidade natal para festejar seu casamento, que acontecerá em agosto.
Para os alunos que acabaram de ingressar no mundo das leis, Carlos tem alguns conselhos valiosos. “Não desista nunca. Por mais que o caminho pareça longo, é preciso lutar e se esforçar para ter aquilo que você deseja. Também é preciso estudar muito, pois só uma base sólida consegue sustentar uma grande construção”, aconselha. “Outro ponto importante, que eu só aprendi depois de prestar vários concursos, é dar muito atenção para o lado social. Sempre respeite e tenha a cidadania como um parâmetro, um rumo”.
E quais são os planos para o futuro de quem chegou ao topo tão cedo? “Vou ficar por um tempo na minha área. Aprender muito, me dedicar a outras coisas. Mais tarde verei se o cargo de desembargador e de ministro, me interessam”.
AMOR PELOS LIVROS
Além do Direito, outro mundo interessa e muito a Carlos. “Sou completamente apaixonado por livros. Leio todos os estilos e também escrevo muito. Já tenho mais de 100 poesias que pretendo publicar daqui a um tempo”, conta. Em Franca ele foi o primeiro colocado de um concurso para contos infantis. A internet é uma das grandes aliadas de Carlos, que publicou parte de seu primeiro romance para que qualquer pessoa interessada leia, para tal basca pesquisar na rede por Honosgea e a Estrela de Jali. “Tem uma área reservada com o meu e-mail para que os leitores que leram enviarem sua opinião, critica e sugestões para que eu saiba se estou no caminho certo”.